Viver no Senhor – Um blog a serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja Católica Apostólica Romana. – – – Sejam Todos Bem-Vindos! Quando neste blog é falado, apresentado algo em defesa da Igreja, contra o protestantismo, é feito com um fundo de tristeza ao ver que existem "cristãos" que se levantam contra a única Igreja edificada pelo Senhor Jesus no mundo. Bom seria se isto não existisse, a grande divisão cristã. Mas os filhos da Igreja têm que defendê-la. Saibam, irmãos(ãs), que o protestantismo, tendo que se sustentar, se manter, se justificar, terá que ser sempre contra a Igreja católica (do contrário não teria mais razão de sê-lo) ainda que seja pela farsa, forjar documentos, aumentar e destorcer fatos (os que são os mais difíceis para se comprovar o contrário pelos cientistas católicos, pois trata-se de algo real, mas modificado, alterado para proveito próprio.) E tentarão sempre atingir a Igreja na sua base: mentiras contra o primado de São Pedro, contra o Papa e sua autoridade, contra o Vaticano, contra a sua legitimidade, etc, etc. São, graças a Deus, muitos sites católicos que derrubam (refutam) estas mentiras, provando o seu contrário, bastando portanto se fazer uma pesquisa séria, por exemplo, com o tema: cai a farsa protestante, refutando o protestantismo, etc. O Espírito Santo jamais abandona sua Igreja. Que saibamos, por este Espírito, amar aos protestantes que não participam destas ações malignas, e aos que se incumbem destas ações, os inimigos da Igreja, que saibamos, ainda que não consigamos amá-los o bastante, ao menos respeitá-los, em sua situação crítica perante Jesus e desejar a eles a conversão e a Salvação de Nosso Senhor Jesus. "Se soubéssemos verdadeiramente o que é o inferno, não o desejaríamos ao pior inimigo".

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No dia de Santo Estevão, Igreja recorda perseguição aos cristãos

Da redação, com Vatican News

Santo Estevão/ Imagem: Santo do Dia – Canção Nova

 
Notícias Canção Nova
Primeiro mártir, santo celebrado nesta quinta-feira, 26, é recordado com importantes dados sobre a perseguição aos cristãos no mundo
A Igreja celebra nesta quinta-feira, 26, a festa litúrgica de Santo Estêvão. Primeiro mártir cristão da história, o santo foi assassinado porque testemunhou a sua fé em Cristo, espalhou o Evangelho e converteu pessoas. O martírio de Santo Estevão ocorreu, segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, por apedrejamento no ano 36. Hoje, 1983 anos após a perseguição e morte do santo, ainda existe o martírio dos cristãos.
Neste ano, a World Watch List 2019 da Open Doors/Portas Abertas, apontou em seu relatório anual sobre a liberdade religiosa dos cristãos no mundo, que há cerca de 245 milhões de cristãos perseguidos no mundo. A WWList2019 cobre um período de 12 meses, de novembro de 2017 a outubro de 2018. No dia 18 de janeiro, a associação publicará o novo Relatório.
O culto a Santo Estêvão, presente em todo o mundo – só na Itália existem mais de uma centena de municípios dos quais ele é o Santo padroeiro -, retoma a difícil realidade de perseguição aos cristãos, que assume várias formas: violência, estigma, vandalismo, intolerância, exclusão. 
Portas Abertas
Presente em mais de 60 países, a organização Open Doors/Portas Abertas oferece formação e assistência aos cristãos que sofrem por causa de sua fé. Cristian Nani, diretor na Itália da Portas Abertas, antecipa como no ano que está chegando ao fim a perseguição dos fiéis cristãos aumentou em extensão, número e intensidade:
“Precisamos falar sobre isso, fazer as pessoas refletirem porque hoje, milhares de pessoas morrem por causa da sua fé, não na guerra, em situações de conflito, mas, somente por uma profissão de fé”. Assim, depois de ter analisado a situação dos cristãos na Líbia e no Iêmen, Cristian retorna ao que o Papa Francisco, em uma recente Audiência Geral, chamou de “cristãos perseguidos com luvas de pelica”, com particular referência à Europa. “Intolerância e vandalismo são, dois sinais de alarme a serem levados a sério”, frisou.
O diretor da Portas Abertas da Itália afirmou que ainda hoje, no mundo, na Europa muitos são os cristãos perseguidos que dão a vida pela fé. “Eles são perseguidos também com luvas de pelica, deixados de lado, marginalizados”, completou.
Segundo Cristian, as palavras pronunciadas pelo Santo Padre o último dia 11 de dezembro, fazem com que as atenções se voltem para outro tipo de perseguição. Feita de intolerância, vandalismo, resultado de um secularismo que – de acordo com Francisco, em seu discurso à Cúria na semana passada -, faz compreender que a sociedade não está em um regime de cristianismo porque a fé, em grande parte do Ocidente já não constitui um pré-requisito óbvio do viver comum.
O dia de oração na Alemanha
Entre as muitas iniciativas programadas no mundo para a festa litúrgica de Santo Estêvão, está também a da Conferência Episcopal Alemã que celebra o “Dia de Oração pelos cristãos perseguidos e oprimidos”. As liturgias recordarão as vítimas de exclusão e opressão em muitos lugares do mundo.
A iniciativa pretende também expressar o compromisso da Igreja alemã com a liberdade religiosa de todas as pessoas. O dia de oração de 26 de dezembro faz parte da iniciativa “Solidariedade para com os cristãos perseguidos e oprimidos no nosso tempo”, com a qual os bispos pretendem sensibilizar os fiéis para a discriminação e a violência que os cristãos ainda hoje sofrem em muitas partes do mundo.
Site: Notícias Canção Nova
Editado por Henrique Guilhon

CNBB emite nota sobre o desrespeito à fé cristã

CNBB
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota na tarde desta quinta-feira, 12 de dezembro, na qual critica a postura de artistas que, em nome da liberdade de expressão, vilipendiam símbolos sagrados da fé cristã. “Ridicularizar a crença de um grupo, seja ele qual for, além de constituir ilícito previsto na legislação penal, significa desrespeitar todas as pessoas, ferindo a busca por uma sociedade efetivamente democrática, que valoriza todos os seus cidadãos”, diz o texto. Confira abaixo a íntegra do documento. No áudio abaixo, a nota é lida pelo arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo.
Nota oficial da CNBB
sobre o desrespeito à fé cristã
Examinai tudo e ficai com o que é bom! (1 Ts 5,21)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) repudia recentes fatos que, em nome da liberdade de expressão e da criatividade artística, agridem profundamente a fé cristã. Ridicularizar a crença de um grupo, seja ele qual for, além de constituir ilícito previsto na legislação penal, significa desrespeitar todas as pessoas, ferindo a busca por uma sociedade efetivamente democrática, que valoriza todos os seus cidadãos.
A Igreja nunca deixou de promover a arte e a liberdade de expressão. Por isso, a CNBB reitera que toda produção artística respeite “os sentimentos de um povo ou de grupos que vivem valores, muitas vezes, revestidos de uma sacralidade inviolável”. Quando há desrespeito em produções midiáticas, os meios de comunicação tornam-se violentos, verdadeiras armas que contribuem para ridicularizar e matar os valores mais profundos de um povo.
Vivemos em uma sociedade pluralista. Nem todos têm as mesmas crenças. Devemos, no entanto, como exigência ética e democrática, respeitar todas as pessoas. Nada permite a quem quer que seja o direito de vilipendiar crenças, atingindo vidas. O direito à liberdade de expressão não anula o respeito às pessoas e aos seus valores.
Neste tempo de Advento, somos convocados a permanecer firmes na fé, constantes na esperança e assíduos na caridade. Não podemos nos deixar conduzir por atitudes de quem, utilizando a inteligência recebida de Deus, agride esse mesmo Deus. Um dia, haveremos de prestar contas de todos os nossos atos.
Diante, pois, dessas agressões, respeitando a autonomia de cada pessoa a reagir conforme sua consciência, a CNBB clama a todos os cidadãos brasileiros a se unirem por um país com mais justiça, paz, respeito e fraternidade.
Brasília-DF, 12 de dezembro de 2019
Festa de Nossa Senhora de Guadalupe
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB
Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre – RS
1º Vice-Presidente da CNBB
Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima – RR
2º Vice-Presidente da CNBB
Dom Joel Portella Amado
Bispo Auxiliar de S. Sebastião do Rio de Janeiro – RJ
Site: CNBB
Editado por Henrique Guilhon

Domingo, dia 6, tem início a Assembleia Especial do Sínodo para a Pan-Amazônia

 
CNBB
Anunciada pelo Papa Francisco em 15 de outubro de 2017, a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônica acontece de 6 a 27 de outubro próximo, no Vaticano, em Roma. À época do anúncio, o Papa Francisco afirmou estar “atendendo o desejo de algumas Conferências Episcopais da América Latina, assim como ouvindo a voz de muitos pastores e fiéis de várias partes do mundo”.
“Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral” é o tema escolhido pelo Papa Francisco para esta edição. O objetivo principal da convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta.
Em entrevista ao jornal italiano La Stampa, de 8 de agosto deste ano, o Papa Francisco disse ser o Sínodo filho da Laudato Sí, uma encíclica social baseada no cuidado da Criação na qual o Santo Padre afirma que tudo está interligado. Para o Santo Padre “quem não a leu jamais entenderá sobre o Sínodo sobre a Amazônia”.
Processo de preparação – De junho 2018 a abril deste ano, foram realizadas, nos nove países que integram a região Pan-Amazônica (Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname), uma série de atividades como parte do processo de escutas pré-sinodais coordenado pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM). A escuta ouviu os povos amazônicos e da floresta (indígenas, ribeirinhos, quilombolas, mulheres, juventudes, religiosos e religiosas, etc).
Ao todo foram realizadas 57 assembleias, 21 fóruns nacionais, 17 fóruns temáticos e 179 rodas de conversa. No Brasil, foram realizadas 182 atividades. Como fruto desta escuta, a secretaria-executiva do Sínodo elaborou o Instrumentum Laboris (Instrumento de Trabalho) do Sínodo Amazônico, material a ser estudado pelos bispos como preparação ao evento. O documento pode ser acessado no hot-site oficial do evento: http://www.sinodoamazonico.va.
O Vaticano divulgou a lista de participantes dia 21 de setembro deste ano. O papa convocou bispos dos 9 países que integram a Pan-Amazônia. O Brasil terá a maior delegação entre os participantes, sendo 58 bispos da região amazônica, além de outros nomes na cúpula do encontro como o cardeal brasileiro dom Claudio Hummes que é o relator geral do sínodo. O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira também participará. O pontífice convidou cientistas, nomes ligados à Organização das Nações Unidas (ONU), representantes de igrejas evangélicas, de ONGs e povos indígenas A previsão é de mais de 250 participantes.
Significado e história – Etimologicamente, a palavra “sínodo” deriva dos termos gregos “syn” (que significa com, em conjunto) y “odos” (que significa caminho), expressando a ideia de caminhar juntos. O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia de Bispos que representa o episcopado de todo o mundo e tem como tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja, com o seu conselho, para procurar soluções pastorais que tenham validade e aplicação universal. É, portanto, um organismo consultivo e não deliberativo.
Mais de 40 anos depois da sua criação, por Paulo VI (15.09.1965), a experiência sinodal caminha para a sua XII assembleia ordinária, a que se junta duas assembleias extraordinárias e oito especiais. Esta instituição permanente nasceu como resposta aos anseios dos padres do II Concílio do Vaticano, como forma de manter vivo o espírito de colegialidade nascido na experiência conciliar. Ainda Arcebispo de Milão, Paulo VI foi um dos principais motores da ideia de uma “contínua colaboração do episcopado”. Já como Papa, no discurso inaugural da última sessão do Concílio (14.09.1965), tornou pública a sua intenção de instituir o Sínodo dos Bispos.
A finalidade de cada assembleia sinodal é a de viver uma experiência de colegialidade entre o episcopado e o Papa. Após a realização do Sínodo, é prerrogativa do Papa decidir se pública ou não uma exortação apostólica a partir das reflexões. Depois da última edição de um sínodo, de 03 a 28/10/2018, em Roma, cujo tema foi: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, o papa publicou a exortação apostólica “Christus Vivit” dirigida aos jovens e à Igreja no mundo.
Site: CNBB
Editado por Henrique Guilhon

Novo documento do Vaticano bate forte na Ideologia de Gênero

O Catequista
A Congregação para a Educação Católica lançou hoje um documento chamado “Homem e Mulher os criou”, que traça uma abordagem para as questões de gênero nas instituições católicas de ensino. Também dá algumas diretrizes para a atuação de educadores católicos, mesmo fora de instituições confessionais.
Segundo o Cardeal Giuseppe Versaldi, prefeito da congregação, o documento procura diferenciar a ideologia de gênero que, segundo o Papa Francisco pretende “impor-se como um pensamento único que determine a educação infantil”, dos estudos de gênero, que aprofundam adequadamente as diferenças entre homens e mulheres nas diversas culturas. Essa diferença precisa ser estabelecida para que se possa abrir um justo diálogo com as áreas de estudo, deixando de lado a imposição ideológica.
Partindo disso, o cardeal afirma que “o documento traça a história, concentra-se em pontos de encontro razoáveis e propõe a visão antropológica cristã” como via para a educação.
O documento é dividido em 3 partes principais: ouvir, analisar e propor. Abaixo, um breve resumo de cada uma.
OUVIR
É uma seção de diagnóstico.
Um breve histórico demonstra como uma legítima preocupação pelo reconhecimento da igualdade de homens e mulheres em dignidade acabou sendo manipulada ideologicamente para construir uma identidade totalmente individualista e desvinculada da verdadeira humanidade.
“Esta ideologia induz a projetos educativos e a orientações legislativas que promovem uma identidade pessoal e uma intimidade afetiva radicalmente desvinculada da diferença biológica entre masculino e feminino. A identidade humana é entregue a uma opção individualista, mutável com o tempo, expressão do modo de pensar e agir, hoje difundido, que confunde « a liberdade genuína com a ideia de que cada um julga como lhe parece, como se, para além dos indivíduos, não houvesse verdades, valores, princípios que nos guiam, como se tudo fosse igual e tudo se devesse permitir »”. (22)
ANALISAR
Essa seção considera, à luz da razão, os motivos pelos quais a “ideologia de gênero” deve ser entendida como um erro que vem tentando se impor como resposta (evidentemente errada) à uma demanda justa da sociedade por igual dignidade entre sexos e respeito aos indivíduos.
Aqui o documento fala da impossibilidade de um terceiro “gênero” do ponto de vista médico/biológico, aponta a importância da alteridade sexual para construção de identidade do indivíduo e lembra que a complementariedade fisiológica entre homens e mulheres é a única condição que torna viável a procriação.
O texto é claro ao enfatizar que, embora se possa lançar mão de recursos técnicos para permitir a geração de filhos entre pessoas do mesmo sexo, tal conduta não condiz com a dignidade que se deve dar à reprodução humana.
“(…) o uso das tecnologias não equivale à concepção natural, na medida que comporta manipulação de embriões humanos, fragmentação da parentalidade, instrumentalização e/ou mercantilização do corpo humano, sem esquecer a redução da criança a um objeto de uma tecnologia científica”. (24)
PROPOR
Feita a identificação dos problemas relacionados à “ideologia de gênero”, o documento propõe que a educação católica retome a Antropologia Cristã como base para a estruturação do percurso educativo.
“(…) sem uma clarificação convincente da antropologia sobre a qual se funda o significado da sexualidade e da afetividade não é possível estruturar de modo correto um percurso educativo coerente com a natureza do homem como pessoa, com o fim de orientá-lo para a plenitude da sua identidade sexual no contexto da vocação ao dom de si. E o primeiro passo desta clarificação antropológica consiste no reconhecimento que « também o homem possui uma natureza, que deve respeitar e não pode manipular como lhe apetece ». (…)” (30)
O documento coloca a família como “o lugar natural no qual a comunhão entre homens e mulheres encontra plena atuação” (36) e, portanto, deve ser o grande ponto de referência para a educação.
É pedido que as escolas católicas, atuando com as famílias, tornem-se verdadeiras comunidades educativas. Aos educadores católicos, o documento pede que mesmo atuando em escolas não católicas, devem dar “testemunho da verdade sobre a pessoa humana e estar a serviço da sua promoção” (40).
O documento finaliza reconhecendo a existência de um grande desafio: o de acolher respeitosamente as diferentes inclinações existentes hoje em dia, abrindo um diálogo franco e sincero, mas propondo a única via que de fato responde às verdadeiras exigências humanas.
A proposta cristã supera qualquer tentativa ideológica de responder ao homem. Aos educadores católicos, pede-se caridade e testemunho.
“Para além de qualquer reducionismo ideológico ou relativismo homologante, as educadoras e os educadores católicos – na correspondência à identidade recebida da inspiração evangélica – são chamados a transformar positivamente os desafios atuais em oportunidades, percorrendo os caminhos do acolhimento, da razão e da proposta cristã, e também testemunhando com as modalidades da própria presença a coerência entre as palavras e a vida.” (54)
O documento é lúcido e riquíssimo! Se você trabalha com educação ou se interessa pelo tema, leia o texto completo em português clicando aqui.
Site: O Catequista
Editado por Henrique Guilhon

Papa Francisco: interessar-se pelos migrantes é interessar-se por todos nós

 
CNBB
“Não se trata apenas de migrantes” é o tema da mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2019, divulgada nesta segunda-feira, dia 27. No texto, o pontífice ressalta que os “conflitos violentos, verdadeiras e próprias guerras não cessam de dilacerar a humanidade; sucedem-se injustiças e discriminações; tribula-se para superar os desequilíbrios econômicos e sociais, de ordem local ou global. E quem sofre as consequências de tudo isso são sobretudo os mais pobres e desfavorecidos”.

Individualismo acentuado

Segundo Francisco, “as sociedades economicamente mais avançadas tendem a um acentuado individualismo que, associado à mentalidade utilitarista e multiplicado pela rede midiática, gera a globalização da indiferença”.
“Neste cenário, os migrantes, os refugiados, os desalojados e as vítimas do tráfico de seres humanos aparecem como os sujeitos emblemáticos da exclusão, porque, além dos incômodos inerentes à sua condição, acabam muitas vezes alvo de juízos negativos que os consideram causa dos males sociais. ”
A atitude para com eles constitui a campainha de alarme que avisa sobre o declínio moral em que se incorre, se continua a dar espaço à cultura do descarte. Com efeito, por este caminho, cada indivíduo que não quadre com os cânones do bem-estar físico, psíquico e social fica em risco de marginalização e exclusão.
“Por isso, a presença dos migrantes e refugiados, como a das pessoas vulneráveis em geral, constitui, hoje, um convite a recuperar algumas dimensões essenciais da nossa existência cristã e da nossa humanidade, que correm o risco de entorpecimento num teor de vida rico de comodidades. Aqui está a razão por que «não se trata apenas de migrantes», ou seja, quando nos interessamos por eles, interessamo-nos também por nós, por todos; cuidando deles, todos crescemos; escutando-os, damos voz também àquela parte de nós mesmos que talvez mantenhamos escondida por não ser bem vista hoje”, ressalta Francisco.

Na sequência, o papa ressalta os vários significados do tema dessa mensagem:

“Não se trata apenas de migrantes: trata-se também dos nossos medos”, do “nosso receio em relação aos outros. Isto se nota particularmente hoje, diante da chegada de migrantes e refugiados que batem à nossa porta em busca de proteção, segurança e um futuro melhor. É verdade que o receio é legítimo, inclusive porque falta a preparação para este encontro.” O problema surge quando os receios “condicionam de tal forma o nosso modo de pensar e agir, que nos tornam intolerantes, fechados, talvez até, sem disso nos apercebermos, racistas”.
“Não se trata apenas de migrantes: trata-se da caridade”. “Através das obras de caridade, demonstramos a nossa fé. E a caridade mais excelsa é a que se realiza em benefício de quem não é capaz de retribuir, nem talvez de agradecer”, afirma o pontífice.
“Não se trata apenas de migrantes: trata-se da nossa humanidade”. “O que impele aquele samaritano – um estrangeiro, segundo os judeus – a deter-se é a compaixão, um sentimento que não se pode explicar só a nível racional. Como nos ensina o próprio Jesus, ter compaixão significa reconhecer o sofrimento do outro e passar, imediatamente, à ação para aliviar, cuidar e salvar.”

Verdadeiro desenvolvimento 

“ Não se trata apenas de migrantes: trata-se de não excluir ninguém. O mundo atual vai-se tornando, dia após dia, mais elitista e cruel para com os excluídos. Os países em via de desenvolvimento continuam sendo depauperados dos seus melhores recursos naturais e humanos em benefício de poucos mercados privilegiados. As guerras abatem-se apenas sobre algumas regiões do mundo, enquanto as armas para as fazer são produzidas e vendidas noutras regiões, que depois não querem ocupar-se dos refugiados causados por tais conflitos. ”
Para Francisco, quem sofre as consequências são sempre os pequenos, os pobres, os mais vulneráveis, a quem se impede de sentar-se à mesa deixando-lhe as migalhas do banquete. “A Igreja ‘em saída’ (…) sabe tomar iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. O desenvolvimento exclusivista torna os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. Verdadeiro desenvolvimento é aquele que procura incluir todos os homens e mulheres do mundo, promovendo o seu crescimento integral, e se preocupa também com as gerações futuras”, afirma.
“Não se trata apenas de migrantes: trata-se de construir a cidade de Deus e do homem”. “Na nossa época, designada também a era das migrações, muitas são as pessoas inocentes que caem vítimas da grande ilusão de um desenvolvimento tecnológico e consumista sem limites. E, assim, partem em viagem para um paraíso que, inexoravelmente, atraiçoa as suas expetativas. A sua presença, por vezes incômoda, contribui para desmentir os mitos de um progresso reservado a poucos, mas construído sobre a exploração de muitos.”

Construção de uma sociedade mais justa

Construir a cidade de Deus e do homem “trata-se de uma oportunidade que a Providência nos oferece de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, de uma democracia mais completa, de um país mais inclusivo, de um mundo mais fraterno e de uma comunidade cristã mais aberta, de acordo com o Evangelho”.
Por fim, o papa resumiu em quatro verbos a resposta ao desafio apresentado pelas migrações atuais: acolher, proteger, promover e integrar.
“Esses verbos não valem apenas para os migrantes e os refugiados; exprimem a missão da Igreja a favor de todos os habitantes das periferias existenciais, que devem ser acolhidos, protegidos, promovidos e integrados”. Segundo Francisco, se esses verbos forem colocados em prática, contribuiremos na construção da “cidade de Deus e do homem, promoveremos o desenvolvimento humano integral de todas as pessoas e ajudaremos também a comunidade mundial a ficar mais próxima de alcançar os objetivos do desenvolvimento sustentável”.
Site: CNBB
Editado por Henrique Guilhon

A Idade Média – Uma época obscura?

Web
Montfort
Fides, si non cogitatur, nulla est.
(A fé, sem a razão, é nula.)
Santo Agostinho, 354-430 d.C.
São muitas as vozes, amplificadas pelos meios modernos de propaganda, que defendem que a Igreja Católica Apostólica Romana propaga o obscurantismo e impede o desenvolvimento científico. Recentemente, esta acusação tem sido feita com maior freqüência devido às condenações pela Igreja ao uso de células-tronco retiradas de embriões humanos e à terapia transgênica. A Igreja, se bem que em si e por sua natureza tenha por fim a salvação das almas e a felicidade eterna, é entretanto, na própria esfera das coisas humanas, a fonte de tantas e tais vantagens, que as não poderia proporcionar mais numerosas e maiores mesmo quando tivesse sido fundada sobretudo e diretamente em mira a segurar a felicidade desta vida [i]. Esta afirmação poderia ser demonstrada de diversas maneiras, em particular, este artigo traz argumentos que mostram a participação fundamental da Igreja na institucionalização e organização da Universidade, instituição que tem sido, reconhecidamente, uma das criações mais fecundas do Ocidente medieval, na qual os doutores escolásticos transmitiram o amor à verdade, que precisava ser descoberta onde estivesse, e no desenvolvimento científico, onde numerosos integrantes do corpo eclesiástico deram significativas contribuições.
A Universidade medieval não tem precedentes históricos tanto por sua estrutura institucional quanto por seu papel social e intelectual [ii][iii]. Poucas foram as escolas que se avizinharam da instituição universitária. É verdade que Platão traçou um programa de formação intelectual no Livro VII de sua República. Nessa República ideal, Platão supõe um Estado que patrocine e controle os estudos, mas na realidade, nenhum Estado concretizou, de fato, essa aspiração. No mundo helênico aparecem escolas públicas, mas todas isoladas. Em Roma, somente Adriano pensou estabelecer um Ateneu que se parecia muito a uma Universidade. Esse projeto, entretanto, somente se realizou e, assim mesmo, efemeramente, no tempo de Cassiodoro e do Papa Agapito I no século VI [iii].
As primeiras Universidades apareceram em Bolonha, Paris, Montpellier e Oxford nos primeiros anos do século XIII. Derivadas de escolas preexistentes, para além da diversidade das instituições, elas tinham em comum serem organismos autônomos de natureza corporativa [iv]. Neste aspecto, foi principalmente do papado, representado pelos grandes papas teólogos e canonistas da primeira metade do século XIII, que o apoio foi decisivo [ii]. Em todos os lugares o papado garantiu a autonomia universitária. Em 1214 foram outorgados os privilégios pontificais da Universidade de Oxford. Em Montpellier, onde prossegue o desenvolvimento contínuo das escolas de medicina desde os anos de 1130, a transformação em universidade foi conseguida em 1220 graças aos estatutos outorgados por um legado pontifical. Ademais, um legado pontifical outorgou à jovem universitas magistrorum et scolarium Parisiensium seus primeiros estatutos, confirmados solenemente pela bula pontifical Parens Scientiarum, de 1231 [ii].
Ser autônomo significava ser mestre de seu recrutamento, poder dotar-se de estatuto, poder impor a seus membros o respeito a uma determinada disciplina coletiva e a regras de cooperação mútua, poder, enfim, organizar livremente aquilo que era a própria razão de ser da cooperação universitária, quer dizer, o ensino, os programas, a duração dos estudos, as modalidades dos exames que sancionavam esses estudos e a colação dos graus que coroavam o êxito nos ditos exames [iv]. O título de doctor ou a licentia docendi, conferido pelas universidades medievais, não tem antecedente na Antigüidade clássica [iii].
A gratuidade do ensino e dos graus era um princípio sagrado no século XIII [iii]. As primeiras derrogações vieram de Oxford, onde para fazer viver os mestres, uma ajuda monetária foi consentida; em Paris, em 1281, o Papa Martinho IV sancionou a existência de uma caixa comum, para a qual os escolares contribuíam semanalmente.
O leque social nos meios universitários era extremamente largo [v]. Os nobres nunca foram muito numerosos nas universidades medievais; freqüentemente menos de 5% e, no máximo, 10 a 15%, em casos excepcionais. Os estudos universitários não condiziam ainda nem ao tipo de cultura nem ao tipo de carreira a que esse grupo social se dedicava preferencialmente. É bem provável que o maior número dos estudantes e dos graduados viesse das “classes médias”, sobretudo urbanas (notários, comerciantes, artesãos abastados etc) [ii]. Muitas matrículas assinalam a existência de pauperes studentes, reconhecíveis por serem mais ou menos dispensados do pagamento dos direitos universitários. Eram muito numerosos nas universidades alemãs. De uma maneira geral, os estudantes pobres eram particularmente numerosos nas universidades em que as faculdades de Artes haviam permanecido importantes e nas com característica eclesiástica. Os estudos de artes eram relativamente breves, pouco dispendiosos e podiam dar acesso a ofícios intelectuais como o de mestre-escola. Do papado, os universitários haviam também recebido privilégios apreciáveis em matéria beneficial: podiam receber benefícios eclesiásticos e gozar de seus rendimentos durante cinco ou sete anos sem residir no local e sem receber as ordens exigidas [v]. O Chanceler da Universidade de Paris, Jean Gerson (1363 – 1429), filho primogênito de uma família camponesa de doze filhos e nascido na pequena Vila Ardennais, havia começado seus estudos no mosteiro Saint-Remi em Reims. Ainda no século XIX, o monge agostiniano Gregor Mendel (1822–1884), cujo trabalho explicou a hereditariedade e fundou a Genética, era filho de camponeses pobres em Brunn, Morávia, para citar integrantes do corpo eclesiástico que deram significativas contribuições ao desenvolvimento científico.
Além disso, pelo fato do estatuto jurídico dos estudantes e dos mestres torná-los, por princípio, privilegiados, tornar-se estudante significava poder furtar-se ao imposto e às formas mais rigorosas da justiça ordinária, significava poder pleitear proventos dos benefícios eclesiásticos sem obrigação de residência e tomar assento sob a salvaguarda das mais altas autoridades, laicas ou eclesiásticas [iv].
Em todas as faculdades, o ensino era dominado por dois tipos fundamentais de exercícios: a aula (lectio) e o debate (disputatio). A primeira visava a fazer conhecer ao estudante as “autoridades” e, através delas, permitir-lhe dominar o conjunto da disciplina que estudava; a segunda era, ao mesmo tempo, para o professor, o meio de aprofundar mais livremente certas questões do que num comentário de texto e, para o estudante, a ocasião de pôr em prática os princípios da Dialética e de avaliar a precisão de seu raciocínio [v].
As aulas distinguiam-se entre ordinárias e extraordinárias. As aulas ordinárias eram dadas pelos próprios mestres sobre os livros importantes do programa, no início da manhã; as aulas extraordinárias, dadas por bacharéis, tinham lugar no final da manhã ou à tarde. Nos dois casos, o método era o mesmo: o professor, após uma aula de introdução, lia o texto a ser explicado, interrompendo-se em alguns trechos para um comentário; os estudantes acompanhavam em seu próprio exemplar do texto e tomavam notas.
O texto que se analisa é designado por lectio. Como mostra Pacheco [vi], a busca do entendimento do texto, que se escolhe dentre a já rica pluralidade de fontes e autores, cristãos ou não, inclui a tentativa da descoberta da intentio auctoris e o comentário analítico rigoroso. Acrescenta Pinekaers [vii], a escolástica, estruturada a partir da dimensão interpretativa do texto, assume características especiais: é abstrata, como resultado de um pensamento liberto das conotações acidentais; é analítica, pois a palavra significa a essência; é aistórica, situando-se ao nível do essencial, num presente independente do passado e do futuro; é impessoal, já que nunca usa a primeira pessoa; nunca é subjetiva, mas sempre aponta para o universal.
Os debates, por sua vez, eram um tipo de exercício característico da universidade medieval e constituíam a parte mais significativa do ensino nela praticado. Como salienta Pieper [viii]:
“Houve na universidade medieval a instituição regular da “disputatio”, que, por princípio, não recusava nenhum argumento e nenhum contendor, prática que obrigava, assim, à consideração temática sob um ângulo universal”.
Nas palavras de São Tomás de Aquino, a existência dos debates explicava-se porque:
“Assim como um juiz não pode sentenciar em um Juízo até haver escutado as duas partes, assim o homem que estuda a filosofia julga melhor se observa o choque das idéias, como o de dois adversários em luta” [iii].
Durante suas duas estadas em Paris, São Tomás organizou pelo menos 528 debates, ou seja, mais ou menos dois por semana [v]. Não era suficiente escutar a exposição das aulas por um mestre; era essencial que as idéias se examinassem criticamente nos debates [ix]. Os mais freqüentes eram os “debates ordinários”: o mestre escolhia um tema “quaestio”, presidia a sessão e encarregava um de seus bacharéis de apresentar a “questão” e de responder às objeções dos discípulos, pronto para ajudá-lo ou retomá-lo em caso de necessidade; o público podia compreender, além dos estudantes e dos bacharéis de aula do mestre, estranhos vindos de outras classes. No dia seguinte ao do debate, o mestre apresentava a síntese da discussão e a esclarecia. Uma ou duas vezes por ano, cada mestre devia também organizar um debate de quolibet, onde qualquer tema podia ser abordado e ao qual assistiam todos os membros da faculdade.
As leituras, comentários de textos e a participação nos debates habituavam os estudantes a se exprimir tanto em latim quanto em vernáculo e a posicionar-se em público, a enfrentar e, se possível, vencer, pela argumentação, os eventuais adversários. Seus estudos de lógica e de retórica lhes teriam dado a arte do raciocínio correto e da demonstração convincente. Um longo exercício da memória lhes permitia convocar, sem se referir a notas escritas, múltiplas citações de autoridades que fundamentavam seu saber. Junte-se a isso o fato de, na maior parte das universidades, os estudantes e os jovens mestres em artes poderem tomar a palavra na deliberação das diversas assembléias e conselhos, exercer funções eletivas, representar a universidade diante de autoridades exteriores. Pela importância dada a todas essas atividades, a universidade certamente contribuiu para a formação de homens de saber, dotando-os, não apenas de uma certa bagagem intelectual, mas de saber-fazer e de desembaraço social e politicamente úteis [iv].
Ademais, a Idade Média era atenta às finalidades sociais da universidade. Com efeito, repugnava-se, então, não apenas a idéia de uma cultura desinteressada, mas, também, aquela de um saber cujo detentor utilizasse a seu modo e exclusivamente para seu próprio benefício pessoal [iv]. “Deve-se aprender apenas para a própria edificação ou para ser útil aos outros; o saber pelo saber é apenas uma vergonhosa curiosidade” [x], já havia dito São Bernardo (1090-1153).
Há que se distinguir desde logo o século XIV, que, em muitos aspectos, especialmente em Paris e Oxford, aparece como um prolongamento do século XIII e o século XV onde as dificuldades sensivelmente se acumulam sobre as instituições devido às mudanças ligadas à emergência do Estado moderno [iv]. As universidades modernas, a partir da Renascença, são criações de príncipes e do Estado, que as absorve cada vez mais [ii][xi]. Os estatutos que elas receberam desde sua fundação, sempre as caracterizando como instituições autônomas, deixam largas possibilidades de controle e de intervenção aos poderes externos e seus representantes. A mais óbvia foi freqüentemente que os professores (ou pelo menos alguns dentre eles) seriam, dali por diante, pagos pelo príncipe que, como retorno, exerceria o direito de responsabilizar-se por suas nomeações. No século XV, vê-se, na França, onde o reforço do poder real foi particularmente precoce, as velhas universidades (Paris, Orléans, Toulouse) passarem para a tutela de reis, de seus Parlamentos e de seus oficiais. Agora, as universidades estavam no quadro das instituições nacionais. O lento abandono de determinados tipos de exercícios (por exemplo, os debates) é, sobretudo no século XV, uma realidade incontestável [iv]. Talvez o mais inquietante seja o fato de os graus parecerem ter sido cada vez mais fáceis de serem obtidos, a julgar-se pelas taxas de êxito crescente que se percebe. De 1600 a 1800, as taxas de êxito passam em Oxford, (bacharelado em Artes) de 35% para 58%; em Franeker (Países Baixos) de 6% para 71% [ii].
O absenteísmo professoral, associado à falta de assiduidade dos alunos, esvaziava aulas e disputas. Para tomar o caso da França, se as principais universidades – Paris, Toulouse ou Montpellier – preservavam um determinado nível de exigência, pequenas universidades provincianas – Avignon, Orange, Orléans, Nantes, Caen, Reims – especializavam-se vergonhosamente na venda de graus a preços de liquidação e sem exame sério. As dispensas de todo tipo eram facilmente conseguidas. O próprio Estado resignava-se a isso, e tanto que, em 1682, autorizou os alunos de Direito com mais de 24 anos, “em virtude da idade”, a conseguir sua licença em seis meses (ao invés dos cinco anos exigidos) [xii].
Na Idade Clássica, até o final do século XVIII, a atividade das Universidades não mais resume toda a vida intelectual. Os reformadores do Iluminismo advogam a sua extinção como resíduos de uma inútil tradição medieval e propunham substituí-las por escolas especializadas [iii]. A Universidade, tão cara a Idade Média, sofria agora o perigo dos chamados “sábios” Iluministas. Os princípios defendidos nessa época são de que o ensino dever-se-ia ficar adstrito a pequenos grupos privilegiados. Voltaire, escrevendo a La Chalotais , concordava em que este tinha razão de proscrever os estudos entre os lavradores. E, numa carta a Damilaville, no ano de 1766, dizia claramente que seria conveniente que o povo fosse guiado e não instruído, afirmando: “Parece-me essencial que haja pobres ignorantes. … Não é preciso instruir o artesão, mas sim o burguês. … Se o povo se mete a raciocinar, tudo estará perdido” [xiii].
Além de instituir e fomentar o ensino universitário, a Igreja Católica desenvolveu e difundiu o saber através de seus clérigos. Integrantes do corpo eclesiástico formaram cientistas notórios como Descartes, que estudou no Colégio Jesuíta La Flèche; desenvolveram novas teorias; inventaram máquinas, aparatos; escreveram tratados, estudos, manuais; demonstraram novos princípios em diversos campos da Ciência e das Artes e levaram suas descobertas ao Oriente e às Américas.
A Idade Média viu surgir teorias valorosas, cujos méritos, muitas vezes, foram outorgados a Idade Moderna. A partir de estudos de tratados medievais sobre dinâmica e cinemática, Pierre Duhem argumenta que as idéias essenciais dos princípios básicos da física de Galileu (1564–1642) já estavam presentes no século XIV. A teoria do ímpetus de Jean Buridan (?1300–1358) é vista como um presságio da lei de inércia, que está no cerne da Revolução Científica dos séculos XVI e XVII, e as teses de Nicole Oresme (1323–1382) como uma antecipação da lei da queda dos corpos de Galileu e da geometria analítica de Descartes [xiv].
A participação significativa de integrantes do corpo eclesiástico no desenvolvimento científico foi reconhecida por cientistas notórios. O próprio Galileu, quando em 1611 esteve com Jesuítas em Roma, escreveu a um de seus amigos:
“Estive com os padres Jesuítas e me entretive durante muito tempo com o padre Clavius, com dois outros sacerdotes muito versados na nossa ciência e com os seus alunos também…percebi que eles verificaram a existência real dos novos planetas e que, há dois meses, eles não cessam as suas observações; nós as comparamos às minhas e umas concordam perfeitamente com as outras” [xv].
O trabalho do P. Leon Battista Alberti (1404-1472) é central no desenvolvimento da perspectiva. A palavra “perspectiva” designava, na Idade Média, a ciência da óptica (perspectiva communis). No seu tratado “Sobre a Pintura” de 1435, P. Alberti expõe a perspectiva expressamente no plano matemático e se baseia em conhecimentos sólidos de geometria e óptica: é pela análise dos triângulos e outras figuras formadas pelos raios visuais que convém estudar a representação do espaço. Daí a definição: “o quadro é uma interseção plana da pirâmide visual”. A perspectiva lhe fornece, em particular, os meios de “geometrizar” corretamente as projeções mais importantes das linhas retas (verticais, ortogonais ao plano do quadro etc) [xvi].
Para a história do pensamento científico, o fato é significativo. Como salienta Panofsky [xvii] “não é um exagero afirmar que, utilizado desta maneira, esse motivo (…) representa de algum modo o primeiro exemplo de um sistema de coordenadas que, na esfera da concretude artística, torna visível materialmente o ‘espaço sistemático’ moderno, antes mesmo que o pensamento abstrato matemático o tivesse postulado”. P. Alberti sintetizou e conceituou essas conquistas.
Na Idade Média essa área de estudos era muito ativa; através do que hoje veríamos como passos vacilantes, preparava-se uma síntese cada vez mais ajustada entre a análise geométrica e o estudo da visão dos objetos. De modo direto ou indireto, P. Alberti e seus contemporâneos conheceram esta tradição medieval. Não só o tratado de Jonh Pecham teve ampla difusão, como Blaise de Parma escrevera, por volta de 1390, um tratado de óptica (Quaestiones Perspectivae). Mais ainda, na década de 1420 circulara um tratado, Della Prospettiva, cujo autor foi Paolo Toscanelli. Como conclui Pierre Thuillier 16: “as inovações do século XV devem ser compreendidas com relação a um plano de fundo teórico muito rico. É impossível, em todo caso, aceitar-se a lenda (ainda muito difundida) do ‘obscurantismo medieval’”.
Contudo, o primeiro corpo de católicos eruditos que se tornou preeminente em ciências seculares foram os Jesuítas. A Sociedade de Jesus foi fundada em 1540 por Santo Inácio de Loyola. Os ‘homens do papa’, como eram conhecidos pela sua defesa e propagação da autoridade e do ensinamento papal, deram expressivas contribuições a inúmeras áreas do saber.
Foi o P. Christopher Scheiner (1573–1650), na sua obra Oculus (1619), o primeiro a provar a importância fundamental da retina na visão. Em 1630 publicou Rosa Ursina, sua principal obra. Nestes livros, P. Scheiner descreve algumas de suas descobertas e experimentos tais como a determinação do raio de curvatura da córnea e a descoberta da saída nasal do nervo óptico [xviii][xix]. Este mesmo padre fornecera provas concludentes sobre a faculdade de acomodação do olho, e se celebrizara pela descoberta das manchas solares e pela invenção do pantógrafo [xx]. Outro jesuíta, o P. Francesco Lana-Terzi (1631–1687) criara um alfabeto para surdos-mudos e um método de leitura para cegos.
Na Matemática, o trabalho do P. Jesuíta belga Gregory Saint Vincent (1584–1667) Opus Geometricum Quadraturae Circuli et Sectionum Coni (1647) fez com que Leibniz o reconhecesse, ao lado de Fermat e Descartes, como um dos que estabeleceram as bases da geometria analítica [xxi]. Pode-se citar também o P. Andrea Tacquet (1612–1660) cujas obras, dentre elas seu principal trabalho Cylindricorum et Annularium (1651), influenciaram Pascal. Neste mesmo século, o P. Girolamo Saccheri (1667–1733) lançava os fundamentos da primeira geometria não euclidiana em Euclides ab Omni Naevo Vindicatus (1733), obra que influenciou Riemann, Lobachevsky, Bolyai e Gauss.
O P. Vincenzo Riccati (1707–1775), por sua vez, estudou equações diferenciais e integrais. Descobridor das funções hiperbólicas, ele encontrou as fórmulas padrão de adição para estas funções e sua relação com a função exponencial. Lambert é freqüentemente citado como o primeiro a introduzir as funções hiperbólicas, contudo, sabe-se que ele não o fez até 1770, enquanto o trabalho do P. Riccati foi publicado entre 1757 e 1767. Seu livro Institutiones é reconhecido como o primeiro tratado extensivo sobre cálculo integral.
Na Física, foram importantes as contribuições do P. Jesuíta Francesco Grimaldi (1613–1663). P. Grimaldi descobriu a difração da luz e expôs a teoria ondulatória de sua propagação na obra Physicomathesis de Lumine (1666). Newton trata das proposições sobre difração da luz de Grimaldi na Parte III de sua Opticks (1704).
Não se deve deixar de mencionar as contribuições do P. Jesuíta Rogério Boscovich (1711–1787) ao desenvolvimento teórico sobre a estrutura da matéria, expostas em sua Theoria Philosophae Naturalis, a qual traz esboços da teoria sobre quarks [xxii]. Nas palavras de Thomson [xxiii]:
“A natureza da coesão foi mais adequadamente explicada por Boscovich do que qualquer outro filósofo. Esta é a mais bela e satisfatória parte de sua teoria”.
Também foram importantes as contribuições dos Jesuítas à Astronomia e à Geofísica. Desde 1824 até hoje, 73 observatórios ao redor do mundo são operados por Jesuítas. Dentre os mais importantes e mais conhecidos estão o do Collegio Romano (Roma), Stonyhurst (Inglaterra), Kalocsa (Hungria), Ebro (Espanha), Georgetown (Washington), Havana (Cuba), Zikawei (China), Manila (Filipinas), Tananarive (Madagascar), Riverview (Austrália) e Calcutá (Índia) [xxiv]. Neste aspecto, não se deve deixar de citar as contribuições do P. Ângelo Secchi (1818–1878), em particular, seus trabalhos sobre classificação espectral de estrelas. Ele foi o primeiro a fazer uso sistemático desta técnica na classificação de estrelas, o que o fez ser chamado de “pai da Astrofísica”. Na Itália, fundou a Sociedade Italiana de Espectroscopistas, dedicada a estudos espectroscópicos do Sol. Destacam-se, do mesmo modo, as contribuições dos Jesuítas à Meteorologia, especialmente no estudo e previsão de furacões tropicais [xxv].
Já no século XX, o P. Jesuíta Georges Lamaître (1894-1966) apresentou as bases da teoria da expansão do Universo em um artigo publicado nos Anais da Sociedade Científica de Bruxelas, em 1927 [xxvi]. Sua teoria foi confirmada em 1964, quando Arno Penzias e Robert Wilson descobriram a radiação de fundo, cuja existência Gamow havia previsto como uma relíquia da explosão inicial. Por seu trabalho, uma comissão internacional lhe outorgou o Prêmio Francqui, em 1934, o qual recebeu das mãos de Einstein.
Tampouco as extraordinárias contribuições dos Jesuítas se limitaram à ciência. Em 1773, contavam com 350 teatros na Europa. Fundaram o primeiro teatro no continente norte-americano – precisamente em Quebec, em 1640. Ensinaram a França a fazer porcelana. O guarda-chuva, a baunilha, o ruibarbo, a camélia e o quinino foram inovações jesuíticas na Europa.
Menos de cem anos depois da fundação da Sociedade de Jesus, os Jesuítas se tornaram os primeiros europeus a penetrarem no Tibet e depois seguirem dali para a China. O P. Jesuíta Matteo Ricci (1552–1610) provou que a Catai de Marco Pólo era idêntica à China, e não um país diferente, e publicou os primeiros mapas da China disponíveis no Ocidente. Na China, este mesmo padre redigiu um tratado de geometria euclidiana em chinês e ensinou-lhes a arte de fabricar relógios de sol. Pelos seus serviços, foi declarado mandarim oficial no palácio do imperador em Pequim. No Japão, o P. Jesuíta português Luis De Almeida fundou, em 1557, o primeiro hospital no Oriente, dentro do qual foi fundada a primeira escola Médico-Cirúrgica [xxvii]. P. Almeida manda construir também um orfanato com vacaria anexa, visando, deste modo, reduzir a mortalidade infantil na região [xxviii].
No Brasil, os Padres Jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta foram exemplos de um prodigioso sacrifício e abnegação a serviço daqueles da recém descoberta Terra de Santa Cruz. Fundaram colégios, ensinaram aos índios a arte de construir moradias com proporção e alinhamento, fazer móveis, plantar e cultivar a terra. Ainda não estava concluída a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda e já a escola estava franqueada aos meninos da nova Cidade do Salvador [xxix]. A criação da escola sempre contemporânea da própria cidade, ou a ela precedendo, como aconteceu em São Paulo, de modo a não se encontrar povoação alguma de certa importância que não tivesse o seu colégio, é um fato característico da missão jesuítica na América Latina.
Foi na escola de Piratininga, inaugurada no dia da Conversão de São Paulo, donde veio ao colégio o nome de São Paulo, derivando-se mais tarde a denominação para a cidade e da cidade para o Estado que P. Anchieta passou, por vezes, noites inteiras a tirar cópias, para os discípulos poderem, a falta de livros, estudar as lições [xxx].
P. Anchieta cultivou com esmero no Brasil as línguas portuguesa e tupi. Deixou-nos sobre esta última a Arte da Língua mais Usada na Costa do Brasil, bem como em latim a Ars Grammatica Linguæ Brasilicæ e o Dictionarium Linguæ Brasilicæ. No mais, a lista de alunos célebres dos Jesuítas no Brasil inclui Gregório de Mattos, Cláudio Manuel da Costa, José Basílio da Gama e P. Antonio Vieira, que, tendo vindo para o Brasil na idade de oito anos, recebeu sua formação literária e científica dos Jesuítas no Colégio de Jesus da Bahia. Também podem ser incluídos os historiadores Francisco de Souza e Pedro Taques, cronista dos bandeirantes, discípulos da Companhia no Rio de Janeiro 29.
Pelo mencionado, a Igreja, no seu magistério, empreendeu-o não somente a salvação das almas e para a felicidade eterna, mas de modo excepcional na esfera das coisas humanas em mira a segurar ainda a felicidade desta vida. Deste modo, por tudo que fez e defende, não se deve obscurecer com afirmações infundadas e distorções históricas absurdas o brilho da contribuição da Igreja Católica ao ensino e ao desenvolvimento científico. Contudo, como reconhece a própria Igreja, esta não se surpreende de ser, à semelhança do seu divino fundador, “objeto de contradição”; mas, nem por isso deixa de proclamar, com humilde firmeza, a lei moral toda, tanto a natural como a evangélica.
Rogério Côrte Sassonia 11/set./2005.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[i]. Leão XIII, PAPA; Encíclica Immortale Dei – Sobre a Constituição Cristã dos Estados (1885); Documentos Pontifícios – 14, Vozes: Petrópolis, RJ, 1960.
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[iv]. Verger, J.; Homens e Saber na Idade Média, Tradução: Carlota Boto; EDUSC: Bauru, SP, 1999.
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[vi]. Pacheco, M. C. M.; A Filosofia Medieval e a Questão da Interpretação – A Palavra e os Textos – entre a Letra e Espírito, http://www.hottopos.com.br/mirand9/candid2.htm, acessado em 30/08/2005.
[vii]. Pinekaers, S.; La Langage Scolastique, Langage Rationnel apud Malmberg, B.; Histoire de la Linguistique de Srinner à Saussure, Paris, P.U.F., 1961.
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[x]. “Sunt namque qui scire volunt eo fine tantum, ut sciant: et turpis curiositas est” – Sancti Bernardi Opera, J. Leclerq, C. H. Talbot, H. Rochais (eds.), vol. II, Roma, 1958, p. 5 apud Verger, J.; Homens e Saber na Idade Média, Tradução: Carlota Boto; EDUSC: Bauru, SP, 1999.
[xi]. Corrêia, A.; “A Universidade Medieval” Revista da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento1941, 2, 13.
[xii]. Julia, D.; Revel, J.; Chartier, R. (eds.); Les Universités Européennes du XVe au XVIIIe Siècles. Histoire Sociale des Populations Étudiantes, Ed. de l’EHESS: Paris, 1986-1989, p. 110-51 apud Charle, C.; Verger, J.; História das Universidades; Tradução: Elcio Fernandes; Editora da Unesp: São Paulo, 1996.
[xiii]. Besterman, T. (ed.); Voltaire: Correpondance (avril 1765 – juin 1767), vol. VIII, Gallimard: França, 1983, p. 422.
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[xv]. Miller, R. F.; Os Jesuítas e o Segredo de seu Poder, Trad.: Álvaro Franco; Barcellos, Bertaso & Cia.: Porto Alegre, 1935.
[xvi]. Thuillier, P.; De Arquimedes a Einstein: a Face Oculta da Invenção Científica, Trad. Maria Inês Duque-Estrada, Jorge Zahar: Rio de Janeiro, 1994.
[xvii]. Panofsky, E.; La Perspective comme Forme Symbolique, Minuit, 1975, p. 125-6 apud Thuillier, P.; De Arquimedes a Einstein: a Face Oculta da Invenção Científica, Trad. Maria Inês Duque-Estrada, Jorge Zahar: Rio de Janeiro, 1994.
[xviii]. Daxecker, F.; Further-Studies by Scheiner, Chrispoph Concerning the Optics of the Eye, Doc. Ophthalmol. 1994, 86, 2, 153.
[xix]. Daxecker, F.; Scheiner, Christoph Eye Studies, Doc. Ophthalmol. 1992, 81, 1, 27.
[xx]. Ouwendijk, G.; The Physicist and Astronomer Christopher Scheiner: Biography, Letters, Works,Renaissance Quarterly 2005, 58, 1, 294.
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[xxii]. Rinard, P. M.; Quarks and Boscovich, Am. J. Phys. 1976, 44, 7, 704.
[xxiii]. (The nature of cohesion has been more happily explained by Boscovich than by any other philosopher. Indeed it forms the most beautiful and satisfactory part of his theory). Thomson, Thomas; A System of Chemistry in For Volumes, 5a Ed., Londres, 1818 apud Rooney, R.; Roger “Boscovich and the Development of Chemical Theory”, J. Chem. Educ. 1985, 62, 10, 848.
[xxiv]. Udías, S. J., Agustín; Serving God and Science, Astronomy and Geophysics 2001, 42, 2, 23.
[xxv]. Udías, S. J., Agustin; Jesuits’s Contribution to Meteorology, Bull. Amer. Meteor. Soc. 1996, 77, 10, 2307.
[xxvi]. Narlikar, J. V.; Abbe’ Georges Lemaître: Father of the Primeval Atom, Curr. Sci. 1994, 67, 12, 950.
[xxvii]. Fodstad, H.; Hariz, M. I.; Hirabayashi, H.; Ohye, C.; Barbarian Medicine in Feudal Japan, Neurosurgery2002, 51, 4, 1015.
[xxviii]. Frada, J. J. C.; História, Medicina e Descobrimentos Portugueses: http://www.instituto-camoes.pt/cvc/bvc/revistaicalp/histmeddescpt.pdf, acessado em 11 de setembro de 2005.
[xxix]. Cabral, S. J., L. G.; Jesuítas no Brasil (Século XVI), vol. III, Companhia Melhoramentos: São Paulo, 1925, cap. 3.
[xxx]. Cabral, S. J., L. G.; Pátria e Religião, Sta. Rosa: Nictheroy, 1922, p. 8 apud Cabral, S. J., L. G.; Jesuítas no Brasil (Século XVI), vol. III, Companhia Melhoramentos: São Paulo, 1925, cap. 3.
Título Original: Épocas Obscuras?
Foto: Web
Site: Montfort
Editado por Henrique Guilhon
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