Viver no Senhor – Um blog a serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja Católica Apostólica Romana. – – – Sejam Todos Bem-Vindos! Quando neste blog é falado, apresentado algo em defesa da Igreja, contra o protestantismo, é feito com um fundo de tristeza ao ver que existem "cristãos" que se levantam contra a única Igreja edificada pelo Senhor Jesus no mundo. Bom seria se isto não existisse, a grande divisão cristã. Mas os filhos da Igreja têm que defendê-la. Saibam, irmãos(ãs), que o protestantismo, tendo que se sustentar, se manter, se justificar, terá que ser sempre contra a Igreja católica (do contrário não teria mais razão de sê-lo) ainda que seja pela farsa, forjar documentos, aumentar e destorcer fatos (os que são os mais difíceis para se comprovar o contrário pelos cientistas católicos, pois trata-se de algo real, mas modificado, alterado para proveito próprio.) E tentarão sempre atingir a Igreja na sua base: mentiras contra o primado de São Pedro, contra o Papa e sua autoridade, contra o Vaticano, contra a sua legitimidade, etc, etc. São, graças a Deus, muitos sites católicos que derrubam (refutam) estas mentiras, provando o seu contrário, bastando portanto se fazer uma pesquisa séria, por exemplo, com o tema: cai a farsa protestante, refutando o protestantismo, etc. O Espírito Santo jamais abandona sua Igreja. Que saibamos, por este Espírito, amar aos protestantes que não participam destas ações malignas, e aos que se incumbem destas ações, os inimigos da Igreja, que saibamos, ainda que não consigamos amá-los o bastante, ao menos respeitá-los, em sua situação crítica perante Jesus e desejar a eles a conversão e a Salvação de Nosso Senhor Jesus. "Se soubéssemos verdadeiramente o que é o inferno, não o desejaríamos ao pior inimigo".

Posts marcados ‘Idolatria(Desmentindo as acusações de)’

Adorar e venerar, dois atos completamente distintos

Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Tocando nesta incomodante ferida social religiosa, este assunto, completamente deturpado no meio protestante, tem que ser tratado com a total clareza merecida. Toda palavra tem sua formação e não é composta sem seu significado concreto. A palavra IDOLATRIA, tem na sua composição, a saber: ÍDOLO+LATRIA, onde o ÍDOLO, longe de significar uma simples imagem, significa em sua profundidade, qualquer coisa que seja posta no lugar de Deus na vida do indivíduo. Seja este o dinheiro, posição social, pessoas, etc. Já o LATRIA que é o ADORAR, é um ato, um “sentimento” de amor único e inteiro, que só é devido ao Criador, ou seja, da criatura para o Criador, de mim para o meu Deus. E vem então, algo estarrecedor, uma atitude que deixa qualquer um que entende do assunto, de certa forma, “boquiaberto”: Sendo o LATRIA, um sentimento, e, só quem sabe que o tem, é a pessoa que sente, como alguém pode acusar um outro de adorar algo? A desculpa de ajoelhar-se perante uma imagem, nunca comprovará nada. Ela estará se prostrando a tal imagem, por respeito, por VENERAÇÃO. Há vários atos de prostração, na Bíblia, onde quem o faz, age por respeito e não por adorar: “Joab foi ter com o rei e contou-lhe tudo. Absalão foi chamado, entrou à presença do rei e prostrou-se diante dele com o rosto por terra. E o rei o beijou. (II Samuel 14, 33)”, “E dirigindo-se a um cusita: Vai ter com o rei, disse-lhe, e anuncia-lhe o que viste. O cusita prostrou-se diante de Joab e partiu correndo. (II Samuel 18, 21)” , “A mulher veio, pois, de Técua, e apresentou-se ao rei; lançou-se por terra e prostrou-se, dizendo: Salva-me, ó rei, salva-me! (II Samuel 14, 4)” . “Aquimaas, chegando, disse ao rei: Salve! e prostrou-se diante dele com a face por terra. Depois ajuntou: Bendito seja o Senhor, teu Deus, que te entregou os homens que ergueram a mão contra o rei, meu senhor. (II Samuel 18,28)”. Uma pessoa, por exemplo, pode está almoçando na casa de um amigo, mas só pelo ato de está almoçando, não significa que o mesmo esteja gostando totalmente da comida. Ela pode está comendo para não causar alguma desfeita. Ou seja, por um simples ato, ninguém pode “taxar” alguém de “adorar” algo. Quem sabe o que sente é a pessoa. Há algo talvez mais impressionante ainda. É alguém querer que, uma pessoa que sabe que o que ela sente por Deus, só sente por Ele, querer que essa pessoa imagine que ela tenha tal sentimento por algo, por uma imagem, etc. É o cúmulo do absurdo. Tenho imagens em minha casa e não sinto por elas, o que sinto unicamente por Deus. São simples imagens e toda pessoa de sã consciência sabe muito bem que uma imagem, uma foto, são representações de uma pessoa e não A PESSOA. 
Henrique Guilhon
André Botelho
Entender a diferença entre venerar e adorar é de suma importância para o nosso crescimento como cristãos.
Adorar e venerar são duas formas de culto presentes na vida da Igreja. Embora elas sejam diferentes, muitos católicos fazem uma grande confusão entre as duas.
Adoração é o culto que prestamos exclusivamente a Deus
“Adorar a Deus é reconhecê-Lo como tal, Criador e Salvador, Senhor e Dono de tudo quanto existe, Amor infinito e misericordioso. ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’ (Lc 4, 8) – diz Jesus, citando o Deuteronômio (Dt 6, 13)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2096). A adoração é chamada de “culto de latria” (do grego latreou, que significa “adorar”). “Adorar a Deus é reconhecer, com respeito e submissão absoluta, o ‘nada da criatura’” (idem, n. 2097).
Venerar é o culto prestado aos santos e às imagens e relíquias que os representam
Venerar significa honrar; é chamado de “culto de dulia” (do grego douleuo). Também recebe o culto de dulia a Palavra de Deus, ou melhor, os sinais da Palavra de Deus, especialmente a Sagrada Escritura, o evangeliário e o lecionário (esses últimos livros litúrgicos possuem partes da Palavra de Deus contida nas Sagradas Escrituras). Existe também o “culto de hiperdulia”, que é prestado a Nossa Senhora.
A veneração, por sua vez, tem sentido quando se refere a honrar uma pessoa ou um objeto que nos remete a Deus. Claro, fora do âmbito religioso existe a prática de venerar e honrar pessoas, lugares, entre outros. Porém, a veneração, enquanto culto cristão, não tem outro sentido senão valorizar algo, um sinal que nos remete a Deus e Seu chamado de conversão a nós.
A veneração é um culto, muitas vezes, incompreendido pelos protestantes e evangélicos; e muitas vezes, a falta de conhecimento e formação de alguns fiéis católicos em nada ajuda esses nossos irmãos nesse sentido. Contudo, muitas vezes, mesmo sem o saber, eles também veneram sinais que os remetem a Deus, e nisso fazem confusão maior ainda.
Confusão de culto
Apegados à Antiga Aliança, os protestantes veneram os sinais próprios dessa fase da Revelação, como a Arca da Aliança, a menorah (candelabro de 7 velas), o Templo de Jerusalém, as pedras da Lei, entre outros. Essa contradição só não é mais evidente porque os grandes sinais da Antiga Aliança desapareceram. Mas a grande confusão de culto deles se dá em relação à Bíblia.
A Palavra de Deus a qual adoramos é Jesus, o Verbo Encarnado, Palavra eterna do Pai, Pessoa viva da Santíssima Trindade. A Sagrada Escritura é expressão inspirada e infalível dessa mesma Palavra, mas, mesmo sendo assim, não deixa de ser um livro. Que o leitor preste atenção nesta sutil, mas importantíssima diferença: a Bíblia é Palavra de Deus, mas a Palavra de Deus não é a Bíblia, a Palavra de Deus é Cristo. A Bíblia e seus conteúdos escritos – todos escritos em contextos históricos específicos, culturais, geográficos, sociais, entre outros – devem ser honrados por nós, venerados pelos cristãos.
Confusão em relação aos santos e imagens
A Palavra de Deus não pode se restringir a um livro, por mais sagrado que este seja. Essa confusão leva os protestantes a ter uma relação de adoração à Bíblia, o que os faz desprezar as outras fontes de Revelação que Deus deixou para a Sua Igreja. Essa confusão é muito mais nociva à fé do que a confusão feita pelos fiéis católicos com relação aos santos e suas imagens. Isso porque os protestantes o fazem por uma questão de conceito, enquanto os fiéis católicos que fazem essa confusão, fazem-na por ignorância.
Fica evidente a importância de compreender a relação que devemos ter com as coisas santas. 
Devemos cultuá-las, porém, da maneira correta. Que os erros não nos desanimem de prestar o devido culto a esses tesouros que Deus deixa no meio dos homens, para que, olhando para eles e os venerando, possamos encontrar a face d’Aquele que é o Único a quem nós adoramos.
André Botelho
André L. Botelho de Andrade é casado e pai de três filhos. Com formação em Teologia e Filosofia Tomista, Andrade é fundador e moderador geral da comunidade católica Pantokrator, à qual se dedica integralmente.
Título Original: Qual é a diferença entre venerar e adorar?
Site: Formação Canção Nova
Editado por Henrique Guilhon

O que é venerar e adorar? O que é verdadeiramente a idolatria?

“Você adora isto!” ” Vocês adoram aquilo!” Sem perceberem, estes acusadores alimentam uma das mais absurdas idiotices dos últimos tempos: a acusação de idolatria aos católicos. Os acusadores em questão, muito populares ultimamente, apresentam passagens bíblicas isoladas e fora do seu contesto. Alguns, mais “ousados” ainda dizem: “deixa-me mostrar na sua Bíblia”. Este simples gesto abre um leque de estudos sobre a Bíblia, no que diz respeito a autoridade da Igreja sobre ela ( 1 Tim. 3,15 ) que não entra em questão agora. Os acusadores de idolatria, ao praticarem tal acusação, muitas das vezes mal sabem do significado da formação da palavra IDOLATRIA, que é ÍDOLO + LATRIA, ou seja, a atitude de direcionarmos o sentimento de LATRIA, que quer dizer um sentimento ao Supremo, único, de criatura para Criador, que só é devido unica e exclusivamente a Deus. E aí vem a grande idiotice praticada por milhares de adeptos protestantes, parece-me mais fortemente nas últimas décadas: Ora, sendo o latria é um sentimento, quem pode saber o que sente por algo ou alguém é unicamente a própria pessoa. Jamais eu posso chegar para alguém e dizer para ele ou ela, que gosta daquilo ou não, que adora aquilo ou não, se eu não estou naquela pessoa para saber. E mesmo, alguns gestos praticados não prova o que aquela pessoa sente ou não. Assim, uma pessoa que está comendo algum alimento numa casa, por exemplo, pode está comendo sem gostar ou para não fazer desfeita. Uma pessoa que aceita um aperto de mão pode fazê-lo por mera formalidade ou sentimento de obrigação sem está dentro do seu coração a vontade de ter apertado a mão. Assim, o simples gesto de ajoelhar-se diante de uma imagem não pode provar que aquela pessoa tem aquela imagem como um deus ou que ela a adora. Se ela ajoelha diante de tal imagem ela está ajoelhando para o que aquela imagem representa ( exceto quando se trata da Eucaristia e o Santíssimo Sacramento onde a presença de Jesus é real, não havendo representação e a adoração à Santa Cruz – quem quiser se aprofundar nestes assuntos, pesquise neste blog ou em outros sites de formação católica ), algo sagrado, que está na presença de Deus, portanto, de Deus e quando se presta culto às coisas de Deus, por serem sagradas, presta-se culto ao próprio Deus, evidentemente, na sua ordem de valores. Uma mãe que cuida das roupas de seu filho, vai cuidá-las com todo carinho e dedicação, por não serem roupas qualquer, mas do seu filho. Isto não provará que ela ama tais roupas mais do que ao seu filho. Portanto acusar alguém de idolatria é dizer que este alguém tem um sentimento de adoração por algo, sem está dentro deste alguém para ter certeza do que sente por este algo. Tenho várias imagens em minha casa e não adoro nenhuma, porque sei que elas não são Deus e o que eu sinto por elas é o respeito pelo que representam e não o que eu sinto pelo meu Criador. Porem o acusador protestante quer que eu imagine que o que eu sinto por tal imagem ou a Maria, é o mesmo que eu sinto por Deus. E o pior ainda é quem aceita achar que realmente adora tal imagem. Tal pessoa não deve ter certeza do que sente, no mínimo! Lastimável! 
Henrique Guilhon
Web
Dicionário da Fé
Mentira nº 532: Católicos adoram Maria, pois adorar e venerar é a mesma coisa. 
Nossa Resposta: 
Não.

Veneração é qualquer homenagem. Adoração é específica: inclui oferecimento de sacrifício, que é feito só a Deus. À Virgem Maria e aos santos prestamos o culto de veneração. 
O dicionário diz:
Venerar = render culto a (Michaelis); tributar grande respeito a (Aurélio).
Adorar = Render culto a divindade (Aurélio); Render culto a uma divindade (Michaelis).
É claro que todas as palavras têm um segundo e um terceiro sentidos… Mas é este o que foi aplicado pelo Sagrado Magistério da Igreja para os cultos cristãos.
Infelizmente nossos irmãozinhos protestantes, enganados pelo “divisor” (diabo = o que divide) não sabem fazer esta distinção, pois o Culto principal de qualquer religião, mesmo as pagãs, é OFERECER SACRIFÍCIO. E eles não sabem o que é isso. São, portanto, meras seitas, nem religião são.
A Igreja, mãe e mestra, nos instrui claramente, fazendo distinção dos diversos tipos de culto que prestamos: 
Assim temos:
– Dulia: Culto aos santos(veneração);
– Hiperdulia: Culto especial à Virgem Maria(veneração especial).
– LATRIA: Culto de ADORAÇÃO (Exclusivo a DEUS).
Título Original: Mentira nº 532: Católicos adoram Maria, pois adorar e venerar é a mesma coisa. 
Foto: Web
Site: Dicionário da Fé
Editado por Henrique Guilhon

 

Mesmo quando enumerou os Mandamentos, Jesus não citou a questão das imagens. Não seria porque não é parte essencial e inalienável dos Dez Mandamentos?

Catholicus
Culto a imagens: ver Cristo se comparar à serpente de bronze pode deixar muito cristão bugado
O que mais tem por aí são cristãos que já se consideram salvos e se sentem superiores aos católicos – a quem chamam de idólatras – pelo fato de não prestarem culto a imagens de santos. Mas o que Jesus Cristo disse sobre as imagens?Como já observamos em outro post, em NENHUM dos quatro Evangelhos Jesus cita de forma negativa as imagens religiosas. Isso é especialmente interessante, se considerarmos que certos cristãos praticamente só falam disso, e colocam tanto foco nessa questão!…
Mesmo quando enumerou os Mandamentos (como em Mt 22,36-38, Mc 12,28-30 e Mt 19,17-19), Jesus não citou a questão das imagens. Será que isso não leva ninguém a desconfiar que a proibição ao uso de imagens não é parte essencial e inalienável dos Dez Mandamentos?
“Se queres entrar na vida, observa os mandamentos. Quais?, perguntou ele. Jesus respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 19,17-19)
E a única vez – A ÚNICA! – em que a Bíblia relata o Cristo se referindo alguma imagemreligiosa, Ele não faz uma condenação, mas sim LIGA A SUA PESSOA AO SIMBOLISMO DESSA IMAGEM: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna” (Jo 3,14-15).
Trata-se da serpente de bronze que Deus mandou Moisés fabricar e fixar sobre um poste. Quando os israelitas, picados por serpentes venenosas, olhavam para a serpente de bronze, se salvavam da morte. Cristo se compara a essa serpente, porque ao adorarem o Deus Crucificado, os homens envenenados pelo pecado se livram da morte eterna da alma.
Jesus se comparou a uma imagem feita por mãos humanas! Tenho certeza de que muitos irmãos não-católicos, mesmo já tendo lido essa passagem mil vezes, jamais tinham parado para ver a realidade sob este ângulo. Prevejo angústia em certos coraçõezinhos…
Essa Palavra saída da boca de Cristo basta para indicar que o bom uso das imagens religiosas é possivel. Se as imagens fossem más, vocês acham que Jesus teria dito – como disse – que foi bem representado por uma delas, gente?
A PROIBIÇÃO DO USO DE IMAGENS FOI CIRCUNSTANCIAL
“Ain, mas Deus mandou destruir a serpente de bronze, porque os israelitas começaram a idolatrá-la”. Essa objeção é fácil de detonar. Deus conhece o futuro, certo? Obviamente, Ele sabia que, anos depois, o sentido da imagem da serpente seria pervertido e ela seria idolatrada. Ainda assim, ordenou a confecção da imagem e a utilizou como canal para distribuir graças ao povo de Israel.
Tal decisão da parte de Deus só se justifica por uma lógica: a de que o posterior efeito colateral da confusão idólatra era inferior ao bem que a imagem da serpente de bronze faria ao povo (não só com a cura, mas também com sua força simbólica, prefigurando o Messias levantado na cruz).
Isso evidencia que Deus proibiu as imagens de forma CIRCUNSTANCIAL (já explicamos aqui no blog que algumas leis da Antiga Aliança se confirmam na Nova Aliança, são eternas; enquanto outras se tornam obsoletas – pois eram circunstanciais, ou seja, tinham validade somente em dada circunstância). Naquele momento específico da história do povo de Deus, portanto, não convinha a existência de imagens, pois o povo confundia entre a fé no verdadeiro Deus e a fé em deuses criados pela imaginação humana. Era uma realidade cultural desfavorável ao uso de imagens.
Mas se Deus, para determinado momento da História da Salvação, considerou que a imagem religiosa era boa e conveniente para o povo, Ele não poderia, em outro momento da História da Salvação, novamente considerar que tal instrumento deveria ser novamente usado para o bem das almas?
A resposta é: SIM! Pois foi isso que aconteceu, gradualmente, na vida da Igreja primitiva.
AS IMAGENS DE SANTOS NA IGREJA PRIMITIVA
As numerosas imagens de personagens bíblicos nas catacumbas mostram que a comunidade cristã já não levava ao pé da letra a proibição exposta no Êxodo, de não fazer imagens. Esses afrescos (muitos deles datados dos séculos II e III) eram cultuados como os católicos fazem hoje? Não sabemos. Mas a sua existência sinaliza que a interpretação sobre a questão da confecção de imagens estava mudando no coração da Igreja.
No Novo Testamento, permanece a condenação eterna à idolatria. E o que isso significa? Que o cristão não pode participar do culto de outras religiões, nem deve confundir o Deus Todo-Poderoso com o sol, as montanhas, os animais, e adorar essas coisas como se fossem Deus. Por isso, São Paulo diz:
“Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações e figuras de homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis. (…) Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém!” (Rom 1,23-25)
té o século IV, o cristianismo era proibido pelo Império Romano. Não havia templos em que se pudesse desenvolver a arte religiosa, e seria muito arriscado ter imagens religiosas em casa.
Esse cenário muda radicalmente a partir do momento em que o Imperador Constantino, no ano 313, deu liberdade de culto aos cristãos. Eles puderam, então, erguer os seus primeiros templos, onde começou a se desenvolver a arte religiosa, inclusive por meio de esculturas.
O Papa, com o poder das chaves que Jesus entregou a Pedro, ligou as imagens de santos aos Céus, afirmando a sua utilidade para a edificação das almas. Ao fazer isso, ele não contrariou a verdade que a Bíblia revela (ele não pode fazer isso!), mas sim deu a essa questão a correta interpretação.
Fonte: Aleteia
Título Original: O que Jesus Cristo disse sobre as imagens?
Site: Catholicus
Editado por Henrique Guilhon

A interessante resposta de São Jerônimo a um inimigo das relíquias dos santos

 
Padre Paulo Ricardo
É “idolatria” honrar as relíquias dos mártires? Por que os católicos veneram os restos mortais dos santos? Confira a resposta contundente de São Jerônimo a um herege de sua época e descubra qual a verdadeira doutrina católica sobre as santas relíquias.
Estamos no século V. Ainda não há eletricidade, ainda não se sabe da existência da América, ainda não se conhecem as universidades. Entretanto, o ser humano já possui um conhecimento muito maior e mais extraordinário que qualquer outro: “Verbum caro factum est – O Verbo se fez carne” (Jo1, 14). Já há Igreja Católica, já existem Papa e bispos, sem falar de uma multidão de fiéis que, atraída pela verdade do Evangelho, segue a doutrina de Cristo e obedece aos legítimos pastores da Igreja [1].
Neste tempo, vale lembrar, ainda não há protestantismo. Ainda não há Lutero, não há Calvino, enem sequer os iconoclastas começaram a quebrar imagens no Império Bizantino. Mesmo assim, uma questão perturba a mente de algumas pessoas: refere-se às “relíquias” dos santos. O termorelíquia vem do latim e significa “restos”. O que acontece é que os restos mortais dos mártires – homens e mulheres que confessaram publicamente a sua fé em Jesus, até o ponto de morrerem por isso – são recolhidos pelo povo cristão e venerados publicamente na Igreja. Ossos e outros objetos ligados a eles são depositados em lugares sagrados, reverenciados e honrados como se as almas santas que animaram aqueles instrumentos ainda estivessem ali, vivas entre eles.
A pergunta que alguns fazem – e que os reformadores protestantes repetirão um milênio depois – é se a veneração daquelas relíquias não estaria desviando o foco de Cristo ou, para ser mais direto, não acabava constituindo uma espécie de “idolatria” ou “superstição” pagã. Afinal, tamanho apego a coisas materiais não seria uma ofensa à doutrina essencialmente espiritual ensinada por Jesus?
Cabe esclarecer que não são muitas as pessoas a fazer esse tipo de questionamento. De fato, a grande massa de cristãos não tem dúvidas a respeito da importância de custodiar e honrar os restos mortais dos santos. Uma epístola circular do martírio de São Policarpo de Esmirna, por exemplo, atesta que os ossos dos mártires são tidos pelos cristãos como “mais preciosos que as pedras de valor e mais estimados que o ouro puro” [2]. Isso ainda no século II, muito antes de Constantino conceder a liberdade de culto aos cristãos! Desde aqueles anos, a prática de venerar as relíquias dos mártires não pára de crescer, com a mesma rapidez que o Evangelho se vai impregnando nas mentes e nos corações dos homens.
São poucos os que contestam o culto das relíquias, mas o posto dos que coçam a cabeça não permite que sejam ignorados. – Há um presbítero falando mal das santas relíquias, e isso pode causar dano às almas! – Foi o que pensou São Jerônimo, ao levantar-se contra o herege Vigilâncio de Aquitânia, um clérigo que, entre muitos erros, defendia o fim do culto às relíquias e das vigílias nas basílicas dos mártires.
A resposta de Jerônimo a Vigilâncio – condensada em uma de suas epístolas [3] – é dura e incisiva, e pode até mesmo chocar os ouvidos mais frágeis. Poucos textos, porém, são tão claros e contundentes na exposição da doutrina católica a respeito da veneração aos santos.
Carta 109 (53) “Acceptis primum”,
a Ripário, presbítero de Aquitânia, c. ano 404 
Informado de que Vigilâncio condenava tanto a veneração às relíquias dos mártires quanto as vigílias feitas diante de seus sepulcros, São Jerônimo como que trava combate nesta carta e se declara disposto a refutar estes erros, caso Ripário, seu destinatário, lhe envie os escritos de Vigilâncio.
1. Tendo recebido tuas cartas, <ó Ripário>, julgo que não as responder seria arrogância; e respondê-las, ao contrário, seria temeridade. Com efeito, as coisas que me perguntas não podem nem ouvir-se nem contar-se sem sacrilégio. Dizes, pois, que este tal Vigilâncio, a quem eu, com mais propriedade, chamaria Dormitâncio [4], voltou a abrir a boca suja para exalar contra as relíquias dos santos mártires o seu terrível mau cheiro: julgando-nos adoradores de ossos, ele nos chama cinerários [5] e idólatras. Oh! homem infeliz e digno de pena, que, ao dizer tais coisas, não percebe ser mais um samaritano e judeu, os quais, preferindo a letra que mata ao Espírito, que dá vida (cf. 2Cor 3, 6), consideram impuros não só os cadáveres, mas inclusive a mobília de suas casas. Nós, ao contrário, recusamo-nos a adorar, não digo nem as relíquias dos mártires, mas nem sequer o sol, a lua ou os anjos, sejam arcanjos, querubins ou serafins, nem nenhum nome que possa haver quer neste mundo, quer no futuro (cf. Ef 1, 21), pois não podemos servir mais às criaturas do que ao Criador, que é bendito pelos séculos (cf. Rm 1, 25). Veneramos, todavia, as relíquias dos mártires, a fim de adorarmos Aquele de quem eles são mártires; honramos, sim, os servos, para que a honra prestada a eles recaia sobre o seu Senhor, que diz: “Quem vos recebe, a Mim recebe” (Mt 10, 40). São, portanto, impuras as relíquias de Pedro e Paulo? Quer dizer então que o corpo de Moisés, sepultado, como lemos, pelo próprio Senhor (cf. Dt 34, 6), não passa de imundície? Sendo assim, todas as vezes que entramos nas basílicas dos apóstolos e profetas, como também nas de todos os mártires, são ídolos o que ali veneramos? As velas acesas diante de seus túmulos são, enfim, sinais de idolatria? Farei uma só pergunta mais, que há de ou curar ou ensandecer de vez a cabeça insana deste autor, a fim de que as almas simples não se percam por causa de tamanhos sacrilégios. Acaso era imundo também o corpo do Senhor enquanto esteve no sepulcro? Os anjos, portanto, com vestes resplandecentes, vigiavam aquele cadáver “sórdido” para que, séculos mais tardes, o delirante Dormitâncio vomitasse esta porquice e, assim como o perseguidor Juliano, destruísse nossas igrejas, ou mesmo as convertesse em templos ?
2. Surpreende-me que o santo bispo em cuja paróquia, pelo que dizem,é presbítero, concorde com esta loucura e nem com disciplina apostólica nem com disciplina férrea corrija esse vaso inútil “para a mortificação do seu corpo, a fim de que a sua alma seja salva” (1Cor 5, 5). Ele deveria lembrar-se do que dizem os Salmos: “Se vês um ladrão, te ajuntas a ele, e com adúlteros te associas” (Sl 49, 18); e noutra passagem: “Todos os dias extirparei da terra os ímpios, banindo da cidade do Senhor os que praticam o mal” (Sl 100, 8). E ainda: “Pois não hei de odiar, Senhor, os que vos odeiam? Os que se levantam contra vós, não hei de abominá-los? Eu os odeio com ódio mortal” (Sl 138, 21-22). Ora, se não se devem honrar as relíquias dos mártires, como então lemos: “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos” (Sl 115, 6 [15])? Se, pois, os ossos tornam impuros os que os tocam, como o cadáver de Eliseu, que, segundo Vigilâncio, jazia imundo na sepultura, pôde trazer à vida outro corpo morto (cf. 2Rs 13, 21)? Logo, foram impuros todos os arraiais do exército de Israel e o próprio povo de Deus, já que, levando consigo pelo deserto os corpos de José e dos patriarcas, trouxeram à Terra Santa as cinzas dos mortos? Também José, deste modo, foi profanado, ele que, com grande pompa e cortejo, partira com a ossada de Jacó em direção a Hebron, unicamente para reunir os restos imundos de seus parentes, juntando um morto aos outros? Oh! deveriam os médicos cortar esta língua e pôr sob tratamento esta insanidade. Se ele [sc. Vigilâncio] não sabe falar, que aprenda ao menos a calar-se. Eu mesmo já tive ocasião de ver outrora este monstro e, servindo-me dos textos da Escritura como das amarras de Hipócrates, tentei conter o seu furor; mas ele, tomando o seu partido, preferiu fugir e refugiar-se entre as vagas do Adriático e os Alpes do rei Cócio [i. e. Alpes Cócios], donde pôde desfazer-se em injúrias contra nós. De fato, tudo quanto um tolo diz não é senão vociferação e barulho.
3. Tu talvez me repreendas em teu íntimo por haver-me dirigido nestes termos a quem não está presente para defender-se. Devo, contudo, confessar-te a minha dor. Não posso ouvir pacientemente tal sacrilégio. Eu li, pois, sobre a lança de Finéias (cf. Nm 25, 7); sobre a austeridade de Elias (cf. 1Rs 18, 40); sobre o zelo de Simão Cananeu; sobre a severidade de Pedro, a Ananias e Safira (cf. At 5, 5); sobre, enfim, a constância de Paulo, punindo com cegueira perpétua a Elimás, o Mago, que se opunha às vias do Senhor (cf. At 13, 8-11). Não há crueldade no ser temente a Deus. De fato, na própria Lei se diz: “Se o teu irmão, ou um teu amigo, ou a tua esposa te quiserem desviar da verdade, esteja a tua mão sobre eles, e tu lhes derramará o sangue, e tirarás o mal de Israel” (cf. Dt13, 6-9). Pois bem, <ó Vigilâncio>, são imundas as relíquias dos mártires? Por que então trataram os Apóstolos de enterrar com grande dignidade o corpo “imundo” de Estevão? Por que fizeram a seu respeito um grande pranto (cf. At 8, 2), a fim de que a sua lamentação se tornasse a nossa alegria? Ora, não fosse isso o bastante, tu [sc. Ripário] também me dizes que ele despreza as vigílias. E vai nisto contra o próprio nome, como se Vigilâncio quisesse antes dormir do que ouvir o Senhor, que diz: “Então não pudestes vigiar uma hora comigo… Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26, 40-41). E noutra passagem canta o profeta: “Em meio à noite levanto-me para vos louvar pelos vossos decretos cheios de justiça” (Sl 118, 62). Lemos também no Evangelho que o Senhor passava as noites orando a Deus (cf. Lc 6, 12) e que os Apóstolos, quando eram mantidos sob custódia, costumavam vigiar e entoar salmos a noite inteira, para que a terra estremecesse, o carcereiro se convertesse, o magistrado e a cidade se enchessem de horror (cf. At 16, 25-38). Paulo diz: “Sede perseverantes, sede vigilantes na oração” (Col 4, 2) e, noutro lugar, em “vigílias repetidas” (2Cor 11, 27). Que Vigilâncio durma, então, se assim lhe aprouver, e seja sufocado com os egípcios pelo exterminador do Egito (cf. Ex 11, 4-6). Nós, porém, digamos com Davi: “Não, não há de dormir, não há de adormecer o guarda de Israel” (Sl 120, 4), para que venha a nós o Santo Velador (cf. Dn 4, 10) [6]. Mas se porventura, devido aos nossos pecados, Ele adormecer, enquanto nossa barca se enche d’água, despertêmo-lO: “Levanta-Te, Senhor, como dormes?” e clamemos: “Senhor, salva-nos, nós perecemos” (Mt 8, 25).
4. Quisera eu poder escrever-te mais coisas, <ó Ripário>; os limites de uma simples carta, porém, impõe-nos a modéstia do silêncio. De resto, tivesses tu nos enviado os livros de suas cantilenas, saberíamos em detalhe a que objeções poderíamos responder. Por ora, apenas golpeamos o ar (cf. 1Cor 9, 26) e demos a conhecer não tanto a infidelidade dele, que é manifesta a todos, quanto a nossa própria fé. Mas se desejares que discorramos com mais vagar a este respeito, envia-nos as suas lamúrias e tolices, para que afinal dê ouvidos à pregação de João Batista: “O machado já está posto à raiz das árvores: toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo” (Mt 3, 10).
Referências
Cf. Catecismo de S. Pio X, n. 3: “Verdadeiro cristão é aquele que é batizado, crê e professa a doutrina cristã e obedece aos legítimos Pastores da Igreja.”
De Martyrio Sancti Polycarpi, 18 (PG 5, 1043).
O original dessa epístola de São Jerônimo a Ripário está no volume 22 da Patrologia Latina, 906-909.
Um sarcástico jogo de palavras: Vigilâncio (Vigilantius), isto é, “aquele que está desperto”; Dormitâncio (Dormitantius), ou “o que dorme”.
Assim eram pejorativamente chamados os cristãos dos primeiros séculos, por venerarem as cinzas e as relíquias de santos e mártires.
No original, lê-se: “[…] ut ad nos veniat et air, qui interpretatur vigil.” Pode tratar-se de uma referência ao Espírito Santo. Os trechos precedente e seguinte, no entanto, dão a entender que é realmente de Nosso Senhor Jesus Cristo que São Jerônimo fala.
Título Original: A resposta de São Jerônimo a um inimigo das relíquias dos santos
Site: Padre Paulo Ricardo
Editado por Henrique Guilhon

O uso de imagens pelos cristãos é confirmada desde os primeiros séculos pela ciência

Prof. Felipe Aquino
Desde os primeiros séculos os cristãos pintaram e esculpiram imagens de Jesus, de Nossa Senhora, dos Santos e dos Anjos, não para adorá-las, mas para venerá-las. As catacumbas e as igrejas de Roma, dos primeiros séculos, são testemunhas disso. Só para citar um exemplo, podemos mencionar aqui o fragmento de um afresco da catacumba de Priscila, em Roma, do início do século III. É a mais antiga imagem da Santíssima Virgem. O Catecismo da Igreja traz uma cópia dessa imagem (Ed. de bolso, Ed. Loyola, pag.19).
É o caso de se perguntar, então: Será que foram eles “idólatras” por cultuarem essas imagens? É claro que não. Eles foram santos, mártires, derramaram, muitos deles, o sangue em testemunho da fé. Seria blasfêmia acusar os primeiros mártires da fé de idólatras. O Concílio de Nicéia II, em 787, declarou: 
“Na trilha da doutrina divinamente inspirada dos nossos santos Padres, e da Tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda a certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como a representação da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre os utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em quadros, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, quanto a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos” (Catecismo da Igreja Católica, nº 1161).
Leia também: As Imagens dos Santos
Deus nunca proibiu fazer imagens, e sim “ídolos”, deuses, para adorar. O povo de Deus vivia na terra de Canaã, cercado de povos pagãos que adoravam ídolos em forma de imagens (Baals, Moloc, etc). Era isso que Deus proibia terminantemente. A prova disso é que Deus ordenou a Moisés que fabricasse imagens de dois Querubins e que também pintasse as suas imagens nas cortinas do Tabernáculo. Os querubins foram colocados sobre a Arca da Aliança. Confiar essas passagens: Ex. 25,18s, Ex 37,7; Ex. 26,1.31; 1 Rs. 6,23; I Rs 7,29; 2 Cr. 3,10.

Assista também: O que a Igreja diz sobre o uso de imagens?

Deus mandou que, no deserto, Moisés fizesse a imagem de uma serpente de bronze (Nm 21, 8-9), que prefigurava Jesus pregado na cruz (Jo 3,14). Que fique claro, Deus nunca proibiu imagens, e sim, “fabricar imagens de deuses falsos”. Mas isso os cristãos nunca fizeram porque a Igreja nunca permitiu. As imagens, sempre foram, em todos os tempos, um testemunho da fé. Para muitos que não sabiam ler, as belas imagens e esculturas foram como que o Evangelho pintado nas paredes ou reproduzido nas esculturas. Vitor Hugo dizia que as igrejas eram “bíblias de pedra”. As imagens nos lembram que aqueles que elas representam, chegaram à santidade por graça e obra do próprio Deus, são exemplos a serem seguidos e diante de Deus intercedem por nós.
Prof. Felipe Aquino

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Sobre Prof. Felipe AquinoO Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
Título Original: Podemos venerar as imagens dos santos?
Site: Cléofas
Editado por Henrique Guilhon

Quais eram verdadeiramente os ídolos mencionados na Bíblia?

O bezerro de ouro ( Ex 32, 1-6 )

 
Cris Macabeus
Uma das “grandes armas” que o protestantismo pensa ter para atacar a Igreja Católica são as imagens. Em qualquer conversa com protestantes a respeito de religião, seja qual assunto for, ele sempre tende que pender para as imagens da Igreja Católica. Quando isso acontece os protestantes sempre aparecem com a famosa passagem da suposta proibição de imagens do livro de Êxodo, ela é:
“Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.” (Ex 20, 4)
Bem, essa parece ser uma proibição absoluta tanto da fabricação quanto da adoração de imagens. Qualquer um que ler a primeira vista vai tirar esta conclusão. Porém a bíblia não deve ser interpretada em versículos isolados nem em traduções tendenciosas, nem tudo que parece ser, é realmente.
Se virarmos algumas páginas depois de Êxodo 20, em Êxodo 25, veremos Deus ordenando Moisés fabricar imagens:
“Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duasextremidades do propiciatório.” (Ex 25,18)
Ora, Deus está se contradizendo? Em um lugar ele proibiu a fabricação de imagens e 5 capítulos após, ele mesmo manda fazer imagens? Pode Deus se contradizer? Claro que não!
Deus nunca proibiu a fabricação de imagens, o que Ele proibiu foi a fabricação de ídolos. Uma análise bem feita do texto e uma verificação do texto original provarão isso.
Se olhar os versículos que antecedem e sucedem a passagem veremos que:
“Não terás outros deuses diante de mim.
Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta..” (Êxodo 20, 3-5)
Pelo próprio contexto vemos que a passagem não se refere a “imagens” e sim a “deuses”, ou seja era a proibição das imagens desses deuses. Acontece que o povo judeu estava saindo Egito e embebido da idolatria pagã egípcia. Os deuses egípcios eram todos representados em imagens e pinturas, daí vem a proibição para que os judeus não mais fizessem as representações destes deuses.
Analisando o texto no hebraico encontraremos a palavra “פֶסֶל֙ ” (fessel ou pecel), essa palavra não significa “imagens de escultura” e sim “ídolos”.
A Exaustiva concordância Strong (dicionário das linguas bíblicas, e protestante) traduz essa palavra como:
06459 pecel
procedente de 6458; DITAT – 1788a; n. m.
1) ídolo, imagem
Como vemos a palavra não diz respeito a qualquer imagem, e sim a ídolos esculpidos, ou seja imagens de ídolos. De fato pode ser traduzida como imagem, mas não diz respeito a qualquer imagem e sim especificamente ídolos esculpidos.
Dessa forma vemos que a passagem é uma clara referência aos deuses do Egito, como constataremos a baixo:
“Não farás para ti ídolos ou coisas alguma que tenha a forma de algo que se encontre no alto do céu…”. (êxodo 20, 4): O que estava no céu, eram os deuses dos ares do Egito:

(ou Rê), o criador dos deuses e da ordem divina egípcia. Foi retratado pela arte egípcia sob muitas formas e denominações e era também representado por um falcão, por um homem com cabeça de falcão ou ainda, mais raramente, por um homem. Quando representado por uma cabeça de falcão estabelecia-se uma identidade com Hórus, outro deus solar adorado em várias partes do país desde tempos remotos.

Í BIS, uma ave pernalta de bico longo e recurvado. Existe uma espécie negra e outra de plumagem castanha com reflexos dourados, mas era o íbis branco, ou íbis sagrado,que era considerado pelos egípcios como encarnação do deus Thoth. Um homem com cabeça de íbis, era outra das representações daquele deus.

HÓRUS, filho de Isis e Osíris. Ele é representado como um homem com cabeça de falcão ou como um falcão, sempre usando as duas coroas do Alto e Baixo Egito. Na qualidade de deus do céu, Hórus é o falcão cujos olhos são o sol e a lua.

TOTH, era o deus-escriba e o deus letrado por excelência. Representado como um íbis ou um homem com cabeça de íbis, ou ainda um babuíno.
“…embaixo na terra…”. (Êxodo 20, 4): O que estava na terra eram os deuses e animais terrestres do Egito:

ANÚBIS, filho de Seth e Néftis, é o mestre dos cemitérios e o patrono dos embalsamares. É na realidade o primeiro entre eles, a quem se deve o protótipo das múmias, a de Osíris. Todo egípcio esperava beneficiar-se em sua morte do mesmo tratamento e do mesmo renascimento desta primeira múmia. Anúbis também introduz os mortos no além e protege seus túmulos com a forma de um cão, vigilante.

ÁPIS, o boi sagrado que os antigos egípcios consideravam como a expressão mais completa da divindade sob a forma animal e que encarnava, ao mesmo tempo, os deuses Osíris e Ptah. O culto do boi Ápis, em Mênfis, existia desde a I dinastia pelo menos. Também em Heliópolis e Hermópolis este animal era venerado desde tempos remotos. Essa antiga divindade agrária, simbolizava a força vital da natureza e sua força geradora
.

KHEPRA, (escaravelho, em egípcio) ou um homem com um escaravelho no lugar da cabeça também representavam o deus-Sol. Nesse caso o besouro simbolizava o deus Khepra e sua função era nada menos que a de mover o Sol, como movia a bolazinha de excremento que empurrava pelos caminhos. Associados à idéia mitológica de ressurreição, os escaravelhos eram motivo freqüente das peças de ourivesaria encontradas nos túmulos egípcios.

BABUINO ou cinocéfalo é um grande macaco africano, cuja cabeça oferece alguma semelhança com os cães. No antigo Egito este animal estava associado ao deus Thoth, considerado o deus da escrita, do cálculo e das atividades intelectuais. Era o deus local em Hermópolis, principal cidade do Médio Egito. Deuses particularmente numerosos parecem ter se fundido no deus Thoth: deuses-serpentes, deuses-rãs, um deus-íbis, um deus-lua e este deus-macaco

.

APÓFIS, a serpente que habitava o além-túmulo, representava as tempestades e as trevas. As serpentes estavam entre os adversários mais perigosos e o demônio líder de todos eles era Apófis a grande serpente.

BASTET, uma gata ou uma mulher com cabeça de gata simbolizava a deusa Bastet e representava os poderes benéficos do Sol. Seu centro de culto era Bubástis, cujo nome em egípcio ( Per Bast ) significa a casa de Bastet. Em seu templo naquela cidade a deusa-gata era adorada desde o Antigo Império e suas efígies eram bastante numerosas, existindo, hoje, muitos exemplares delas pelo mundo.

GEB, o deus da Terra é irmão e marido de Nut. É o suporte físico do mundo material, sempre deitado sob a curva do corpo de Nut. Ele é o responsável pela fertilidade e pelo sucesso nas colheitas. Ele estimula o mundo material dos indivíduos e lhes assegura enterro no solo após a morte. Geb umedece o corpo humano na terra e o sela para a eternidade. Nas pinturas é sempre representado com um ganso sobre a cabeça.
“…ou nas águas debaixo da terra.”. (Êxodo 20, 4): Por fim o que estava nas águas eram justamente os deuses animais que ficavam nas águas e que eram adorados no Egito:

SEBEK, um crocodilo ou um homem com cabeça de crocodilo representavam essa divindade aliada do implacável deus Seth. O deus-crocodilo, era venerado em cidades que dependiam da água, como Crocodilópolis.

TUÉRIS, (Taueret ) era a deusa-hipopótamo que protegia as mulheres grávidas e os nascimentos. Ela assegurava fertilidade e partos sem perigo. Adorada em Tebas, é representada em inúmeras estátuas e estatuetas sob os traços de um hipopótamo fêmea erguido, com patas de leão, de mamas pendentes e costas terminadas por uma espécie de cauda de crocodilo.
Será que é mera coincidência, Deus ter proibído as “imagens” justamente quando os judeus saíram do Egito? E por que esta proibição se assemelha tanto aos deuses do Egito? É apenas uma coincidência?
Para que não haja mesmo qualquer dúvida ou questionamento de que Deus se referia aos falsos deuses do Egito, ao pedir que o povo não praticasse idolatria, nem fizesse “imagens”, leremos agora um trecho do livro de Josué, que foi quem substitui Moises:
“Agora, pois, temei o Senhor e o servi-o com inteligência e fidelidade. Afastai os deuses aos quais vossos pais serviram do outro lado do rio e no Egito, e servi ao Senhor”. (Josué 24, 14).
E para termos ainda mais certeza de que Deus falava claramente dos falsos deuses do Egito, leiamos o que fala também, Ezequiel 8, 8-10:
“Filho do homem, disse-me ele, fura a muralha, quando a furei, divisei uma porta. Aproxima-te, diz ele, e contempla as horríveis abominações a que se entregam aqui. Fui até ali para olhar: enxerguei aí toda espécie de imagens de répteis e animais imundos e, pinturas em volta da parede, todos os ídolos da casa de Israel”.
O que podemos perceber com essa passagem bíblica? Obviamente que os sacerdotes estavam adorando os falsos deuses em forma de répteis e animais, que Deus havia proibido que fossem adorados.
O próprio Josué que condenou as imagens dos ídolos, se prostrou diante das imagens da Arca da Aliança e isso não foi caracterizado como idolatria:
“Josué rasgou suas vestes e prostrou-se com a face por terra até a tarde diante da arca do Senhor, tanto ele como os anciãos de Israel, e cobriram de pó as suas cabeças”(Josué 7, 6)

Deus nunca iria se contradizer, proibindo e ao mesmo tempo mandando que se fabricassem imagens e permitindo de seus servos se prostrassem diante delas, como podemos ver em diversos versículos.
A serpente de Bronze:
“E disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente ardente e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo mordido que olhar para ela. E Moisés fez uma serpente de metal e pô-la sobre uma haste; e era que, mordendo alguma serpente a alguém, olhava para a serpente de metal e ficava vivo.” (Nm 21,8-9)
A própria serpente de bronze foi uma prefiguração de Cristo e ele próprio confirma isto, ou seja a crucificação de Cristo foi representada com uma imagem de cobra:
“Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem,” (João 3, 17)
Estaria Moisés cometendo idolatria?
O templo de Salomão:
“E no oráculo fez dois querubins de madeira de oliveira, cada um da altura de dez côvados.” (I Reis 6, 23)
“E revestiu de ouro os querubins. E todas as paredes da casa, em redor, lavrou de esculturas e entalhes de querubins, e de palmas, e de flores abertas, por dentro e por fora.” (I Reis, 6, 28-29)
“E sobre as cintas que estavam entre as molduras havia leões, bois, e querubins, e sobre as molduras uma base por cima; e debaixo dos leões e dos bois junturas de obra estendida.” (I Reis 7, 29).
“Para o interior do Santo dos Santos, mandou esculpir dois querubins e os revestiu de ouro.” (II Crônicas 3,10)
Era neste mesmo templo que os apóstolos e Jesus iam para orar:
“Jesus passeava no templo, no pórtico de Salomão.” (João 10,23)
“Enquanto isso, realizavam-se entre o povo pelas mãos dos apóstolos muitos milagres e prodígios. Reuniam-se eles todos unânimes no pórtico de Salomão.”(Atos 5, 12)
Estariam Jesus e os apóstolos sendo idólatras ao frequentar um templo repletos de imagens de escultura?
Fica provado, portanto, que Deus nunca proibiu a fabricação de imagens e sim de ídolos para a adoração, colocando-os no lugar do próprio Deus. Desmascaramos assim mais uma falsa interpretação protestante.
Referencias
LIMA, Alessandro. Deus proibe a Fabricação de Imagens? Disponível em: . Acesso: 06/06/2012
MAGIA DO ORIENTE. Deuses egípicios. Dsiponível em: . Acesso em: 06/06/2012.
Para citar:
RODRIGUES, Rafael. Deus proibiu a fabricação de Imagens. Apologistas Católicos. Disponível em: . Desde 06/06/2012.
Título Original: Deus proibiu a fabricação de imagens?
Site: Cris Macabeus.com

Editado por Henrique Guilhon

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